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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Nova espécie de pterossauro é descoberta no Brasil - Os fósseis foram localizados no Paraná, em sítio com o maior número de pterossauros já encontrados juntos


Uma equipe de pesquisadores brasileiros descobriu uma nova espécie de pterossauro que viveu apenas no Brasil. Os fósseis do animal foram descobertos em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, em um local considerado a maior aglomeração de pterossauros já encontrada no mundo.
CONHEÇA A PESQUISA


Onde foi divulgada: periódico Plos One

Quem fez: Paulo C. Manzig, Alexander W. A. Kellner, Luiz C. Weinschütz, Carlos E. Fragoso, Cristina S. Vega, Gilson B. Guimarães, Luiz C. Godoy, Antonio Liccardo, João H. Z. Ricetti e Camila C. de Moura

Instituição: Universidade do Contestado, em Santa Catarina, Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro e outras

Resultado: Os pesquisadores descobriram uma nova espécie de pterossauro, que existiu apenas no Brasil
No primeiro estudo feito com o material, publicado nesta quarta-feira no periódicoPlos One, foram utilizados 47 crânios encontrados no local. Em dois anos e meio de exploração no sítio arqueológico, os cientistas retiraram cerca de 5 toneladas de blocos com fósseis. De acordo com os pesquisadores, ainda há uma grande área a ser explorada, e as expectativas são altas em relação ao que pode ser encontrado por lá, incluindo outros tipos de animais.
Anatomia — Os pterossauros descobertos fazem parte de uma nova espécie, encontrada apenas no Brasil, que recebeu o nome de Caiuajara dobruskii. Entre as principais características anatômicas que fizeram com que eles merecessem uma nova classificação, diferenciando-os das espécies conhecidas de pterossauros, está o fato de eles terem o "bico", ou seja, a parte final da mandíbula, mais inclinada para baixo do que os outros.
Além disso, os animais apresentam concavidades no céu da boca e na arcada inferior, sendo esta última mais pronunciada, e cuja utilidade os pesquisadores ainda não desvendaram. "Este é o primeiro pterossauro descoberto na região Sul do Brasil", afirma Alexander Kellner, paleontólogo e pesquisador do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os pesquisadores estimam que o animal tenha vivido no período Cretáceo Superior, há cerca de 80 milhões de anos.
"Mongólia brasileira" — "Além de ser uma espécie nova, a importância desta descoberta está no acúmulo de fósseis no local, que é surpreendente", afirma Kellner. "Esta é a primeira acumulação de pterossauros encontrada no país, e a terceira em todo o mundo", explica. A primeira ocorreu na Argentina, na década de 1990, e a segunda na China, em junho deste ano. Entre as três, a acumulação do Paraná é a com maior número de indivíduos identificados até agora. Essas características fizeram os pesquisadores apelidarem a região de "Mongólia brasileira", em referência ao país asiático que é considerado o mais rico do mundo em descobertas fósseis.
Uma possível explicação para uma concentração tão grande de indivíduos consiste no fato de que a região de Cruzeiro do Oeste era um deserto na época em que estes animais habitavam o local. Por isso, os pterossauros provavelmente se concentravam em torno de algum tipo de oásis, o que explicaria as condições em que os ossos foram encontrados. "Os esqueletos estão todos desmontados, misturados, o que sugere que eles foram carregados por enxurradas eventuais para o fundo de uma lagoa”, explica Luiz Carlos Weinschütz, coordenador do Centro Paleontológico (Cenpáleo) da Universidade do Contestado, em Santa Catarina.
Sem descendentes — Ao contrário do que aparentam, os pterossauros não são dinossauros. Considerados répteis voadores, eles se diferem dos dinossauros em um conjunto de características anatômicas identificado pelos cientistas ao longo dos anos, como o fato de os pterossauros terem desenvolvido o quarto dedo, enquanto os dinossauros tinham três. Esse fator dá ainda mais importância para a descoberta, uma vez que os pterossauros são animais únicos, que não deixaram descendentes, enquanto os dinossauros são os ancestrais das aves. "Os pterossauros se extinguiram por completo, não há nenhum animal similar a eles na face da Terra atualmente", afirma Paulo César Manzig, geólogo do Cenpáleo.

O nome escolhido para a nova espécie diz respeito ao local e à maneira da descoberta. Caiuajara significa "antigo morador do deserto caiuá", local onde os pterossauros viviam, e Dobruski é o sobrenome da família que encontrou os fósseis pela primeira vez.
Descoberta — Em 2011, enquanto fazia uma pesquisa para um livro, o geólogo Paulo Manzig encontrou um fóssil de pterossauro em um museu no Sul no Brasil. Sabendo que não havia registros na literatura desses animais naquela região, resolveu procurar o local de onde tinha vindo a rocha em que estava o fóssil, e organizou, em outubro daquele ano, uma expedição a Cruzeiro do Oeste. Lá conheceu João Gustavo Dobruski, trabalhador da região que havia mandado as rochas para o museu. "O sítio havia sido descoberto por ele e seu pai, Alexandre Gustavo Dobruski, em 1971, quando eles estavam escavando valetas para escoamento de água em uma estrada rural”, conta Manzig. "Alexandre percebeu a importância do material já naquela época. Eles chegaram a mandar amostras para uma Universidade, mas ainda se sabia pouco sobre pterossauros no Brasil e eles não tiveram resultados conclusivos", afirma.

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